sábado, 13 de agosto de 2011

Nova história. Mesmos erros.

Amanda Pioli Ribeiro

Dizem que a grande importância de se estudar História é ganharmos a capacidade de analisar e compreender o passado, evitando, assim, cometer os mesmos erros no futuro. Mas, aparentemente, essa teoria nunca foi absorvida pelos grandes líderes mundiais, e – no caso, que aqui falarei – pela OTAN.

Pequena aula de História: 24 de março de 1999. A Organização do Atlântico Norte (OTAN) ataca a Iugoslávia, país governado pelo então presidente Slobodan Milosevic (1941-2006), considerado um ditador pelas principais democracias mundiais, e responsável pelo massacre de milhares de kosovares de origem albanesa.

Caracterizado como uma limpeza ética, a atitude de Milosevic refletia um movimento nacionalista sérvio que queria afirmar e impor sua cultura à maioria albanesa que ocupava a província de Kosovo. A disputa entre as duas etnias foi agravada pelo surgimento do grupo separatista ELK (Exercito pela libertação de Kosovo), que passou a matar sérvios.

Ou seja, tudo começou com uma briga provinciana (apesar do termo, suas proporções não podem ser menosprezadas) que, agravada por um déspota nacionalista, sofreu a intervenção de um órgão estrangeiro.

A intervenção da OTAN nesse contexto foi considerada correta e necessária por diferentes meios e organismos internacionais, que ignoraram o fato de que esse órgão militar passou boa parte dos quase quatro meses de guerra somente realizando ataques aéreos. O resultado de tais ataques foi, em diversos momentos, o erro. Não só um. Mas vários. Erros fatais para milhares de civis que passavam os dias escondidos em suas casas e vendo seu país se transformar em destroços. Civis que perderam a vida porque os mísseis aéreos erraram o alvo.

Primeiro a OTAN negava. Passava um tempo, ela aceitava que tinha errado. E pra que? O que foi feito? As pessoas viveram de novo? As famílias foram indenizadas? Os erros deixaram de acontecer?

Para todas estas perguntas, uma única resposta: Não!

O tempo fez com que o passado fosse deixado para trás. Mas a estupidez humana fez com que o presente repetisse aquela história mal compreendida (ou, simplesmente, ignorada?): 19 de junho de 2011 - “OTAN admite erro em bombardeio que atingiu civis em Trípoli” (Fonte:R7).

Essa foi a manchete de diversos jornais sobre mais um trágico acontecimento da guerra na Líbia. Outro conflito interno que teve suas proporções maximizadas, e sofreu com a intervenção da OTAN.

No site rededemocratica.org, o primeiro parágrafo da reportagem pautada sobre o erro na Libia ilustra bem problema: “Como sempre, a OTAN se desculpa usando os mesmos argumentos que os Estados Unidos usaram no massacre no Vietnã, afirmando que 'alvo civil deve ter sido atingido por falha em seu equipamento'(?), como se os armamentos que estivessem usando fossem obsoletos ou antigos. O alvo militar em questão estava a 1.5 Km de distância. Até a olho nu, sem equipamento, se conseguiria distinguir.

A guerra é outra. Os aparatos técnicos e militares são outros. Os líderes são outros. O momento é outro. E a mentalidade é a mesma.

É importante esclarecer que a OTAN é um órgão militar internacional composto por 28 países. Todos sabem que o país mais influente é os Estados Unidos (e por isso ele é quase sempre usado como sinônimo desse órgão), mas é importante perceber que os outros 27 também tem voz e direito de opinião. Ou, pelo menos, deveriam ter.

Eu poderia passar horas dissertando sobre a responsabilidade de guerra, e sobre a intervenção da OTAN, nesse e nos demais conflitos, ser ou não uma atitude correta. Mas acho que a principal questão que emerge é: Até quando?


p.s.: “Uno no puede matar si uno no esta dispuesto a morir” (Michael Walzer)

Nenhum comentário:

Postar um comentário